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Contraluz

Atualizado: 5 de Fev de 2019


Os tons do fim de tarde na Cacimba criando a silhueta de Jordy Smith.

Uma variação bastante interessante de explorar na fotografia de surfe é a contraluz. Mas primeiramente acho importante frisar que ter o mínimo domínio sobre as incidências de luz ao longo do dia é uma premissa bastante básica para trabalhar com esse tipo de foto. A luz não apenas muda a intensidade como também a sua posição de acordo com o movimento do sol, que é nossa principal fonte luminosa quando fotografamos de dia e a céu aberto. É interessante saber o movimento do sol ( seu nascer e poente ao longo do ano ) de ao menos uma praia que você freqüente mais e a partir dela poderá ter uma referência para os outros lugares.


Digo isso para que exista um pequeno planejamento da sessão de fotos baseado na luz. Do mesmo jeito que você pode explorar alguns diferentes enquadramentos em uma sessão ( ver post “Fotografia de surfe e composição” ), as variações da luz também podem ser boas guias para um roteiro. Inclusive você pode combinar diferentes tipos de luz com os enquadramentos e conseguir ainda mais variáveis de um quadro.


Reflexos da luz matinal no Recreio dos Bandeirantes. Trekinho.

A contraluz só é possível ( de fora d’água ) em horas de sol baixo, ou cedo pela manhã ou no fim da tarde. Essa luz, que entra diretamente no quadro, vai se perdendo com o nascer do dia e, claro, ao chegar da noite. Acredito que depois das 8 da manhã e antes das 5 da tarde seja bem difícil fazer qualquer contra luz, lembrando que estou exemplificando fotos de fora d’água. De dentro, você pode conseguir um contra-luz em qualquer hora, desde que o surfista esteja posicionado entre o fotografo e o sol.


Essa luz pode ser bem ingrata para quem quer uma fotografia com mais informações e detalhes, pois no contra luz você vai trabalhar, principalmente, com as sombras. Aí está uma primeira dificuldade: não é qualquer manobra que irá ficar legal. Normalmente o surfista tem que se descolar, pelo menos em parte, da parede da onda. Aéreos ou rabetadas são boas opções. Tubos costumam ser bem complicados, pois dependem de uma água clara e dos reflexos certos, visto que a parede da onda tende a escurecer bastante nesse tipo de foto. Cabe aí observar por onde as luzes ainda entram na parede da onda e tentar usar esse espaço para imprimir um pouco de informação.



Outro detalhe importante é fotometrar manualmente. Em alguns modos automáticos pode até funcionar se o contra luz estiver bem intenso, mas normalmente a câmera tende para uma fotometria média de todo quadro, ou seja, vai escurecer os claros e clarear os escuros, tirando o contraste da imagem. Fotometrando manualmente, você naturalmente vai encontrar a melhor exposição. Vale dar uma olhada no visor para isso e ir testando o contraste que mais te agrada variando o diafragma ou a velocidade da foto. Pode fazer esses testes com qualquer onda que quebrar, e ir se preparando para o momento relevante.


É importante, ao fazer esse tipo de foto, sempre estar de olho na fotometragem da câmera, pois em minutos a luz pode dar uma variada considerável. Assim que o sol nasce, sua luz ainda está bem difusa e vai ganhando dureza e intensidade conforme ele sobe. Isso é mais rápido do que imaginamos cedo pela manhã, e um pouco mais demorado no fim de tarde, quando a luz do sol acaba.


Gabriel Garcia no Recreio.

Em fotografias contra luz é recomendável usar velocidades altas. Talvez um mínimo 1/500, mas conforme a luz vai se intensificando, dá para subir até 1/1000 ou até mais. Isso garante silhuetas congeladas com mais detalhes. Nesse caso, não costumo usar o diafragma nem muito acima e nem muito abaixo de F8, e vou variando mais a velocidade. Essa não é uma regra e existem fotos incríveis de surfe na contra-luz em baixa velocidade e com outras configurações, mas recomendo começar explorando de forma mais segura para depois ir buscando as variações.


Outra dica importante é sempre tentar manter o foco no surfista, ou no ponto de contraste da foto. As vezes, com o excesso de luz entrando no quadro, o foco pode se perder. O modo de foco automático da câmera funciona através dos contrastes, então se por acaso ele se perder em algum momento, tente focar sempre em alguma área onde tenha escuros e claros. Uso sempre o foco automático.


Existem horários ideais para esse tipo de foto, onde a luz em todo o quadro está mais equalizada. Porém não há como predefinir isso, tanto as variações geográficas como o próprio movimento dos astros influencia milimetricamente esse tipo de foto. Por isso o trabalho que falei lá no início de entender bem o movimento do sol.


Marcos Sifu, México.


O trabalho de pós também é muito importante. Apesar desse tipo de foto, normalmente, já ter bastante contraste em seu formato cru é bom se assegurar de que os pretos estão presentes e de forma harmônica. As vezes, o excesso de cores também acaba prejudicando essas fotos, vale dar uma atenuada nos amarelos e vermelhos se parecer que essas luzes estão exageradas. O ideal é sempre ter a foto original já bastante contrastada e próxima do quadro final desejado. Não adianta puxar o contraste ou os níveis de uma foto de forma exagerada para forçar um contra-luz, a imagem perde automaticamente os meios tons e soa como “falsa”.


Nunca termino de explorar as fotos contra-luz e é sempre bom ter essas ideias na cabeça pois em certos momentos ela pode ser a sua salvação. Também pode garantir uma foto bem única em uma sessão ordinária.


De resto, é explorar bastante e tentar não olhar diretamente para o sol pelo visor da câmera, acaba sendo inevitável, mas os médicos não recomendam.


Guilherme Tripa.

Junior Faria.

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