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Algumas fases da minha fotografia e o que aprendi em cada uma delas ( parte 2 )

3 - As Viagens


Stanley Cieslik. Taiti.

Foi em fevereiro de 2007 que embarquei pela primeira vez com meu equipamento. Estava indo para Fernando de Noronha, mas no caso, o destino não tem tanta importância. O fato de viajar para fotografar, tanto dessa primeira vez quanto das outras, sempre teve grande influência na minha fotografia. Lembro que quando cheguei em Noronha estava crú, nunca havia fotografado muito longe do Rio de Janeiro, e ali, pela primeira vez, via vários bons surfistas juntos ( era época do WQS que anualmente acontecia por lá ) com ondas acima da média. Foi um grande teste e ao mesmo tempo uma aula. Viajar é conhecer outras culturas, outras ondas, visuais, e saber se adaptar a isso tudo.


Noronha, na antiga revista Blackwater.

Nas viagens você aprende muita coisa sobre a dinâmica do surfe. Entende, por exemplo, que existe uma onda do dia; da ondulação; da temporada...e todos vão falar dessa onda por um tempo. Isso é quase um fato jornalístico, então nunca é bom perder esse momentos. Para isso, outra lição que fica: planejamento. Mas independente desse momento, ou paralelo à ele, além de uma cobertura jornalística, as viagens são oportunidades para construir sua própria narrativa fotográfica do lugar e seus momentos. Não se prenda aos padrões, e esses são momentos bons para isso.


Além de se planejar melhor, também é necessário se organizar melhor. Foi em minha primeira viagem que percebi a importância da pós edição, de saber separar e selecionar as fotos e, claro, tratá-las. Lembro que voltei de Noronha decepcionado e bastante inseguro. Achava que não tinha feito um material completo o bastante, sentia falta de muitas coisas. Mas aos poucos fui juntando as fotos dessa viagem e vi que o resultado não havia sido ruim, na verdade, era uma seleção muito boa de fotos e um olhar bastante meu da ilha.


Mais uma de Noronha na mídia, agora na Hardcore. Messias Felix na foto.

Em outra ocasião, em Puerto Escondido, após terminar de editar um dia clássico eu tinha pouco mais de dez fotos escolhidas. Achei pouco, mas no fim das contas todas essas fotos me serviram para alguma coisas, eram todas muito boas. A seleção é muito importante e vai mostrar ainda mais o seu olhar fotográfico, não tenha medo de cortar algo que não te agrada.



4 - Ondas: pequenas, grandes e mínimas



Não lembro exatamente quando comecei a fazer esse tipo de foto. Lembro de uma foto antiga do Clark Little de uma onda mínima quebrando, tão lisa que não parecia real. Aquela imagem ficou na minha cabeça.



Comecei a explorar as ondas, em seus vários tamanhos e descobri uma beleza diferente em fotografar o mar ( acho até difícil chamar isso de foto de surfe ). Assim descobri outras texturas, movimentos, fluxos e cores em um mundo a parte, sem surfistas ou manobras.




O mais importante disso é que encontrei um novo motivo para fotografar, quase que independente das tradicionais clássicas condições para o surfe ( muitos dos dias que faço essas fotos são insurfáveis ). Procuro outra coisa ao invés da performance.


Assim, dei uma renovada no meu relacionamento com o mar, e também com a fotografia. Nessa fase me aprofundei mais nas luzes e reflexos. Comecei a aocrdar mais cedo e reparar nas nuances de cada estação. É um ótimo estudo e o resultado mostra um outro lado do meu olhar.


Foi por aí também que comecei a testar velocidades mais baixas na fotográfia, para captar diferentes movimentos e texturas.



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